Ao centro

Por Merval Pereira

Reprodução da coluna do jornalista publicada em O Globo no dia 03 de julho de 2011.

Ao mesmo tempo em que utiliza todos os instrumentos legais para tentar impedir a formação do PSD que o ex-correligionário e prefeito de São Paulo Gilberto Kassab está organizando, principalmente com dissidentes do Democratas, o partido procura reforçar seu posicionamento ideológico para ocupar o nicho eleitoral que o PSD também disputará se for concretizado. O presidente do DEM, senadorAgripino Maia, diz que o partido é basicamente de "centro-conservador", evitando o termo "direita".


Na tentativa de globalizar a linha do partido como de centro, ele esteve nos últimos dias, em companhia do ex-deputado José Carlos Aleluia, que preside o instituto de estudos Liberdade e Cidadania, em duas reuniões no exterior para reforçar os contatos do DEM com partidos da mesma tendência no mundo.


Uma delas foi a da Internacional Democrática de Centro (IDC), à qual o DEM aderiu desde 2005. A IDC se contrapõe à Internacional Socialista, que reúne os partidos de esquerda e social-democratas no mundo e agrupa legendas representadas por políticos como Jacques Chirac, na França; pelo PSD em Portugal, hoje de volta ao poder com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia; e pelo Partido Republicano nos EUA.


Segundo Maia, o Democratas é um partido que defende teses semelhantes às de José Maria Aznar na Espanha, Sarkozy na França, Angela Merkel na Alemanha e do Partido Conservador na Inglaterra. "Não nos confundam com os direitistas do Tea Party", alerta ele, que pretende estreitar o relacionamento com a nova direção do Partido Republicano dos Estados Unidos, mais identificado com os conservadores de centro, como John McCain, do que com sua candidata a vice Sarah Palin, membro ativo do Tea Party.


O que os Democratas defendem é que está na hora de uma verdadeira experiência liberal, com uma reforma do pacto federativo para diminuir o tamanho do Estado para conseguir também uma redução de impostos.
Aleluia gosta da definição ideológica contida no Manual da Identidade Partidária e Ideologia, uma publicação de 2008 do National Institute for International Affairs (Instituto Nacional de Assuntos Internacionais) mantido pelo Congresso norte-americano.


O trabalho divide em três as tendências políticas dos partidos: social-democracia; centro-direita e liberal. A definição do Democratas fica entre os dois últimos, mais para a centro-direita, um movimento conservador que historicamente emergiu entre os que se opuseram à Revolução Francesa, tendo Edmond Burke, um político inglês, como um de seus principais líderes.
Nos anos 1970 os temas sociais e econômicos ganharam destaque na temática conservadora, especialmente as críticas ao envolvimento do governo no controle da economia, defendendo a tese de que a degradação social era resultado das políticas de bem-estar social, que reduziam a responsabilidade individual. Posição semelhante à que o Democratas tem hoje com relação ao Bolsa Família.


Na reunião da IDU (União Democrática Internacional, em português) em Washington, o senador Agripino Maia se encontrou com o novo presidente do Partido Republicano, Reince Priebus, com quem combinou um trabalho conjunto.


Também estreitou relações com representantes de partidos conservadores da Bolívia, Peru e outros países latino-americanos, para se contrapor à união dos governos de esquerda, base da política externa brasileira para a região.
No plano interno, o Democratas tenta dificultar a organização do novo partido PSD, reclamando na Justiça o mandato dos dissidentes e aprovando na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em decisão terminativa, que não é permitido a um parlamentar deixar a legenda pela qual foi eleito apenas para fundar um novo partido.


Entendimento contrário, acolhido pelo Tribunal Superior Eleitoral, permitiu que vários deputados e senadores deixassem seus partidos para aderir ao PSD, mas agora ele está sendo contestado pela decisão do Senado.
O senador Agripino Maia está convencido de que o governo fará pressão na Câmara para não aprovar a mudança na lei da fidelidade partidária, para ajudar o prefeito paulistano Gilberto Kassab.


Mas alega que o que está acontecendo é a utilização de uma falha na legislação para quebrar a fidelidade partidária. "Quem quiser sair de um partido para criar outro, pode fazê-lo, mas terá seu mandato sob risco", adverte Maia.


Como se vê, o Democratas tenta se reerguer dos seus próprios escombros para assumir um papel mais afirmativo no espectro político brasileiro: ser um grande partido de centro-conservador, próximo especialmente da classe média, trabalhando questões que afetam seu dia a dia e seus valores, como meio ambiente, altos impostos, desemprego, apagão aéreo e insegurança pública.


A refundação programática do partido foi uma tarefa que o senador Agripino Maia assumiu como principal objetivo quando aceitou presidir o partido em meio a uma crise política que prenunciava para muitos o fim da legenda.

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