Oposição quer explicação sobre demissão no BB

Os partidos de Oposição anunciaram que vão apresentar requerimento de convocação na Câmara e no Senado para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explique ao Congresso os motivos da demissão. Também serão convocados Lima Neto e a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, para que esclareçam quais operações foram feitas dentro do alcance da MP.

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), reiterou que o objetivo da convocação é fazer com que o ministro e ex-dirigente do BB esclareçam operações feitas pelo banco e que teriam motivado a troca de comando. “A desculpa do spread é ridícula. Soubemos que houve operação irregular. Queremos saber quais foram. Isso não exime o governo federal da responsabilidade do que ocorreu no Banco do Brasil. Quem nomeia o presidente do Banco do Brasil é o presidente Lula.”

"A desculpa de que a demissão do presidente do Banco do Brasil foi causada pelas taxas de juros é ridícula", afirma Rodrigo Maia (RJ). "A oposição desconfia que houve socorro do Banco do Brasil para instituições financeiras que não estavam com problemas de liquidez, mas sim de insolvência mesmo. O governo não divulgou os reais motivos da demissão, mas nós sabemos que esses motivos não são nobres."

Em janeiro, a oposição já criticava a atuação de Lima Neto na ajuda ao Banco Votorantim, por meio da compra de 49,9% de suas ações.


Nota à imprensa

Os líderes da Oposição vem a público informar ao país que apresentarão requerimento junto às Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal convocando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a apresentar explicações à sociedade sobre as razões que determinaram a demissão do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto.

A versão do governo sobre o afastamento não tem credibilidade, uma vez que não faz referência ao trabalho que estava sob a responsabilidade do servidor demitido. Nesse sentido, cumpre pedir atenção da sociedade para os seguintes pontos:

1) ao autorizar, por meio da Medida Provisória 443, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar participação de instituições financeiras em dificuldades, o governo abriu a porta dos negócios sem transparência e, em decorrência, sem qualquer fiscalização, nas duas instituições;

2) não é bom para o país que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais bancos públicos brasileiros, realizem negócios sem licitação com instituições financeiras, empresas do ramo de seguro, previdência e capitalização, como vem acontecendo;

3) regras frouxas para transações do Estado, como as estabelecidas na MP 443, estão em desacordo com o princípio da probidade administrativa previsto na Constituição e que busca garantir a isenção e a impessoalidade do Poder Executivo no trato com a coisa pública;

4) além do ministro da Fazenda, o ex-presidente do Banco do Brasil e o presidente da Caixa Econômica Federal também devem comparecer ao Congresso para explicações a respeito das operações realizadas sob a égide da MP 443.

Brasília, 8 de abril de 2009

Sérgio Guerra, Presidente do PSDB
Roberto Freire, presidente do PPS
Rodrigo Maia, Presidente do Democratas

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