1º de maio será de migalhas para o trabalhador, afirma Caiado

Hoje, 1º de Maio, o trabalhador tem o que para comemorar? Essa pergunta passa pela cabeça de milhares de brasileiros que perderam o posto de trabalho nos últimos meses em razão da crise. Segundo dados do IBGE, o número de desempregados superou, no último mês, a marca de dois milhões de pessoas.

O valor é o maior dos últimos 15 meses e corresponde a 9% da população economicamente ativa. “O presidente Lula criou uma situação interessante no Brasil. O País hoje tem duas categorias de trabalhadores: os que estão desempregados e os que estão na iminência de perder o emprego. Esse quadro não é de pânico, como colocou o presidente, mas uma realidade”, afirmou o líder do Democratas na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgado nesta quarta-feira (29), aponta para esse mesmo sentido. No documento, a entidade confirma que “os efeitos da crise financeira internacional já se fazem sentir no Brasil”. “Nas regiões metropolitanas houve um saldo negativo de quase 167 mil postos de trabalho, enquanto nas regiões não-metropolitanas a variação negativa foi de 525 mil. Ambos os números foram recordes negativos para o período 1999/2009”, revela trecho do documento.

De acordo com a análise dos técnicos do Ipea, as cidades do interior são as que vem sofrendo os maiores impactos da crise, em razão de serem as mais industriais. Outro ponto citado no estudo é a redução do poder aquisitivo dos trabalhadores.

“Quando é considerada a faixa salarial, a crise revela seus efeitos de forma  bastante incisiva: as reduções são generalizadas para todas as faixas que superam o patamar de um salário mínimo, sobretudo para a faixa compreendida entre esse valor e o equivalente a cinco salários mínimos”, diz parte da pesquisa

“Ninguém está somatizando um processo que é de total angustia e inquietação da população. A posição do Democratas sempre é a de alertar ao governo que os sinais são graves, que o governo precisava tomar medidas mais enérgicas como conter as despesas correntes, priorizar a iniciativa privada, as pequenas e micro empresas, os produtores, o comércio e a industria brasileira”, ressaltou Caiado durante a entrevista.

“Engodo”

Além do apresentar o atual quadro de desemprego no País, o líder do Democratas também chamou a atenção para a manobra política utilizada pelo Palácio do Planalto para assegurar recursos do FGTS para os programas lançados nos últimos meses.

“Já vínhamos sinalizado e mostrado que o presidente Lula está usando o Fundo para financiar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como também o Programa Minha Casa, Minha Vida. Agora o governo, por decreto, transformou o conselho curador da entidade, que é técnico, em político incluindo mais quatro membros do governo no colegiado. Qual é a garantia que o trabalhador tem hoje uma vez que neste mês nós já tivemos o FGTS no vermelho? Ou seja, um saldo negativo de R$ 440 milhões”, disparou Caiado. “Se os déficits permanecerem e o governo insistir em usar o patrimônio do trabalhador como bem entender, a razão do FGTS será posta em risco”, acrescentou.

O Fundo é formado por depósitos mensais correspondentes a 8% do salários dos trabalhadores do setor formal. Atualmente, o saque pode ocorrer apenas em algumas situações com por exemplo demissão e aquisição de moradia.

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