Fundação promove debate sobre a Crise Econômica Mundial e o Brasil

        A Fundação Liberdade e Cidadania, órgão de estudo do Democratas, realizou na última segunda-feira, 8, em São Paulo, debate sobre a Crise Econômica Mundial. O evento, que trouxe para o debate Kenneth Rogoff, da Harvard Universit, PHD em Economia, e o ex-ministro Pedro Malan, PHD em Economia pela Universidade de Berkeley lotou o teatro do Hotel Renaissance. Na abertura, o presidente da Fundação, o deputado José Carlos Aleluia (BA), frisou que o evento seria apartidário, mas com o propósito de tornar mais claro para todos a situação a atual situação de crise no Brasil. "Tenho certeza de que vamos sair daqui hoje com idéias mais claras sobre a situação de crise que atinge tanto o Brasil quanto os outros países", disse o deputado.

Na palestra, Malan defendeu um aumento de gastos do governo, mas de forma temporária e em programas de estímulo à economia, como, por exemplo, os investimentos em infraestrutura. Não é o que o País está fazendo neste momento, em que a elevação de gastos se dá principalmente pelo aumento da máquina administrativa, disse.
     
      "O Brasil deveria olhar a crise como uma oportunidade", afirmou a uma plateia formada por empresários, estudantes e políticos do PSDB e do DEM, entre eles o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, além de várias lideranças políticas.
     
      Como tem escrito em artigos recentes, Malan elogiou a continuidade das políticas econômicas do governo FHC durante a gestão Luiz Inácio Lula da Silva e disse que essa continuidade explica, em parte, a maior resistência do Brasil diante da crise.
     
      Malan não arriscou outras previsões sobre a economia brasileira. Esse papel coube ao economista Kenneth Rogoff, professor de Economia e Políticas Públicas da Harvard University. Rogoff estimou que o PIB brasileiro deve recuar 2% em 2009 para voltar a crescer 4% em 2010. "O crescimento do Brasil será maior do que o de outros países nos próximos anos. Isso porque o País não apresentou os graves problemas das nações desenvolvidas nessa época de crise, como por exemplo o alto endividamento da população e problemas graves no mercado financeiro."
     
      Rogoff alertou, contudo, que o Brasil tem problemas a resolver, entre eles o aumento do tamanho do governo e a baixa taxa de investimentos, hoje em 19% do Produto Interno Bruto (PIB). A exemplo de Malan, o economista também citou a infraestrutura como um setor muito problemático no País.
     
      Quanto às perspectivas para a economia mundial, Rogoff afirmou que os países desenvolvidos, em especial os Estados Unidos, não podem voltar ao padrão anterior à crise, formado por taxas de poupança muito baixas, consumo excessivo e falta de regulação do sistema financeiro. "Os Estados Unidos têm de consertar esses desvios. Sem isso, os problemas da economia vão continuar."
     
      Rogoff disse que a recuperação da economia mundial será muito lenta e com riscos de contração em alguns momentos. Segundo ele, a atual crise econômica é a mais profunda e abrangente dos últimos 70 anos.

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